Quinta, 14 Dezembro 2017

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WikiLeaks revela que a CIA tem acesso a mensagens do WhatsApp

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O WikiLeaks divulgou nesta terça-feira (7) a primeira parte da coleção de documentos confidenciais Vault 7, que, de acordo com o site, é o maior vazamento de informações da história da inteligência americana. Obtidos a partir de ex-hackers do governo, os documentos (se comprovados como autênticos) evidenciam programas sofisticados destinados a coletar informações pessoais de aparelhos celulares, de TVs conectadas à internet, de computadores, da Microsoft, da Apple (iPhone e iPad) e de smartphones com sistema Android. Até mensagens escritas em aplicativos como WhatsApp e Telegram, que implementam criptografia de ponta a ponta, podem ser captadas por um programa instalado no celular. O software coleta o texto ou o áudio antes de ele ser enviado. 

Julian Assange, fundador do Wikileaks (Foto: AP Photo/Kirsty Wigglesworth)

 A primeira leva de documentos inclui 7.818 páginas de internet e 943 arquivos. Segundo o WikiLeaks, a coleção completa reúne centenas de milhões de linhas de códigos de computadores. Os nomes dos ex-funcionários governamentais não foram divulgados, mas, de acordo com o site de Julian Assange, o grupo diz que “pretende iniciar um debate público sobre segurança, criação, uso, proliferação e controle democrático de armas cibernéticas”. Conforme o jornal The New York Times, a CIA não comentará o conteúdo e a autenticidade dos documentos. O especialista Jake Williams, fundador da Rendition Infosec, informou à AP que os documentos parecem ser autênticos.

Segundo o WikiLeaks, um dos vírus, chamado Weeping Angel (anjo chorão, na tradução livre), foi desenvolvido em cooperação com o Reino Unido e destinado à invasão de smart TVs da Samsung, funcionando como um microfone. “O aumento de técnicas sofisticadas de vigilância encontra comparação com 1984, de George Orwell. Mas o Weeping Angel, que infesta smart TVs e as transforma em microfones, certamente é a mais emblemática das realizações”, diz o pronunciamento do WikiLeaks. Nem o controle de carros e caminhões modernos ficou de fora. Conforme o site, documentos mostram que a CIA buscava formas de infectar o controle dos veículos em 2014. Apesar de a finalidade não ser especificada, a ação “permitiria à CIA a possibilidade de se envolver em assassinatos quase indetectáveis”. O vazamento expõe problemas antigos, que só reforçam o trabalho de delatores sobre a vigilância incontrolada do governo americano. O WikiLeaks denunciou que a CIA hoje é capaz de rivalizar “com menos transparência” com a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), denunciada por Edward Snowden, em 2013, pela vigilância extrema na rotina de cidadãos comuns. A CIA “perdeu o controle da maioria de seu arsenal de hackeamento, incluindo softwares, vírus maliciosos, sistemas de controle remoto e documentação associada”, diz o WikiLeaks.

Nos últimos anos, ao menos o discurso favorável à privacidade dos usuários se acentuou como bandeira de grandes empresas de tecnologia, como Apple e Facebook. É recente a implementação da criptografia de ponta a ponta do WhatsApp, por exemplo, que garante que apenas emissor e receptor de mensagens do aplicativo tenham acesso ao conteúdo das conversas. Se comprovado como autêntico, o programa desenvolvido pela CIA torna essa medida de segurança completamente ineficaz, o que pode levar a um novo embate entre as companhias do Vale do Silício e o governo americano (afinal, o discurso das empresas não será compatível com a prática das agências). Nesse caso, o problema não é uma criptografia falha, mas o vírus que invade os smartphones e coleta os áudios e textos antes de eles serem enviados, quando estão sendo gravados ou escritos, portanto ainda sem criptografia.

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