A biblioterapia revela a potência das histórias como espaços de cuidado. A leitura deixa de ser apenas um ato solitário e transforma-se em encontro: encontro com o texto, com o outro e consigo mesmo. Nos encontros de biblioterapia, as emoções ganham forma, memórias despertam, sentimentos emergem e experiências encontram eco, permitindo que cada participante reconheça fragmentos de sua própria trajetória nas palavras compartilhadas.

Nesse movimento, a literatura atua como mediadora de sentidos e de afetos. Ao aproximar pessoas por meio das histórias, a biblioterapia favorece o surgimento de vínculos, ampliando a empatia e a compreensão de si e do outro. Muitas vezes, aquilo que não encontra voz na experiência cotidiana pode emergir por meio das palavras de um poema, de um conto ou de um personagem. Assim, as histórias funcionam como espelhos simbólicos que facilitam a expressão de sentimentos, dissolvem tensões emocionais e abrem caminhos para o acolhimento e a escuta sensível.
A identificação com personagens literárias, a liberação de afetos e o mergulho na introspecção despertam processos de reflexão e autoconhecimento. Ao entrar em contato com diferentes histórias e perspectivas, o participante é convidado a revisitar sua própria vida, ressignificando experiências, reconhecendo emoções e encontrando novas formas de compreender a si mesmo. Nesse sentido, com a biblioterapia, a literatura pode atuar como um espaço de alívio e de reorganização interna, oferecendo momentos de pausa, tranquilidade e reconexão com o próprio ser.

Não por acaso, muitas histórias de vida passam a se entrelaçar justamente nesse território da palavra compartilhada, permitindo que sonhos ganhem forma e realização.Foi nesse contexto que nasceu a experiência das Biblioamigas do Distrito Federal. Três mulheres que encontraram na biblioterapia um caminho de cuidado e transformação. Durante o período da pandemia da COVID-19, Bárbara, Cristina e Maria Irani aproximaram-se da mediação afetiva da literatura e perceberam, nas histórias, uma possibilidade de acolher suas próprias dores e também de levar cuidado a outras pessoas por meio da leitura.
Em julho de 2024, essas trajetórias se encontraram e deram origem ao grupo Biblioamigas do DF, idealizado com o propósito de divulgar, apoiar e fortalecer a prática da biblioterapia no Distrito Federal. Muitos corações se incendiaram após uma imersão em Araraquara/SP, organizada por Cidinha Pardini, referência na área. O evento foi intitulado Mergulho na Biblioterapia. O encontro dessas histórias revelou algo maior: o desejo de ampliar os horizontes da prática e compreender como a biblioterapia tem florescido em diferentes regiões do país.
Assim, as Biblioamigas do DF iniciaram uma pesquisa nacional com mediadores de biblioterapia, buscando traçar um panorama da área, conhecer experiências, desafios e perspectivas de quem também acredita na força das histórias como instrumento de cuidado. Como fruto dessa pesquisa, escreveram o capítulo “Panorama da prática biblioterapêutica no Brasil” para o livro Práticas de Biblioterapia: o livro como instrumento de cuidado, publicado pela editora Frevo em 2024.
Posteriormente, participaram do movimento coletivo nacional – Arvorecer da Biblioterapia no Brasil, que resultou, em 30 de setembro de 2025, na constituição da Associação Brasileira de Biblioterapia (ABB). As Biblioamigas/DF além de cofundadoras, fazem parte da Diretoria Executiva da ABB, presidida por Cidinha Pardini (presidente) e Katty Anne Nunes (vice-presidente).
A iniciativa de criar a ABB visa fortalecer, difundir e dar sustentação institucional à prática no país. A associação nasce com o propósito de ampliar o alcance da biblioterapia como ferramenta de promoção da saúde mental e do bem-estar, além de assegurar os interesses de seus associados e estimular o desenvolvimento da área nos campos educacional, social, cultural e terapêutico, tendo também como meta buscar sua inclusão nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) do Sistema Único de Saúde.
Tudo isso, por meio da difusão da biblioterapia para a sociedade, o incentivo à pesquisa científica e à produção acadêmica, bem como a oferta de atividades formativas que promovam atualização e aprimoramento dos mediadores de leitura terapêutica. A associação também se dedica a estabelecer diretrizes éticas e boas práticas para o exercício da biblioterapia, buscando garantir qualidade e responsabilidade no cuidado oferecido à sociedade.
Bárbara, Cristina e Maria Irani são especialistas em biblioterapia pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó – UNOCHAPECÓ e, com rodas de leitura, pesquisas realizadas e vínculos construídos, seguem afirmando a biblioterapia como prática de cuidado e humanização. Afinal, quando uma história é compartilhada, ela deixa de pertencer apenas ao livro e passa a habitar o território do humano — onde cada palavra pode ser, ao mesmo tempo, abrigo, espelho e possibilidade de transformação.
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Por Andréia Barbosa – Editora de Cultura do portal Estação Brasil















