Quem desce a MG-050 rumo ao sudoeste de Minas Gerais encontra paredões de pedra que abraçam águas em um tom esverdeado quase irreal. Capitólio, vila de cerca de 8 mil habitantes, se reinventou como um dos destinos mais cobiçados do interior brasileiro depois que os cânions do Lago de Furnas tomaram conta das redes sociais.
Como uma vila de 8 mil moradores virou fenômeno nacional
O município ocupa hoje a posição de uma das principais rotas de ecoturismo do Brasil, com ocupação hoteleira que beira os 100% em feriados prolongados, segundo dados da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG). O ticket médio diário do turista chegou a R$ 631,55, alta de 23,5% em relação ao ano anterior.
O fenômeno começou nas redes sociais, com fotos do Mirante dos Cânions rodando o país. A pequena cidade, que vive 65% de sua economia do turismo, ganhou pousadas, resorts e marinas em ritmo acelerado.

O Mar de Minas que nasceu de uma represa
O Lago de Furnas é uma criação humana. Formado em 1963 com a inauguração da Usina Hidrelétrica de Furnas, o reservatório alagou vales inteiros e criou um espelho d’água com cerca de 1.440 km² de superfície, o maior de Minas Gerais e quatro vezes maior que a Baía de Guanabara.
Os famosos cânions de Capitólio são, na verdade, antigos vales rochosos invadidos pela água da represa. Os paredões ultrapassam 20 metros de altura e formam corredores estreitos por onde lanchas, escunas e chalanas circulam o ano todo, segundo informações.

Os famosos cânions de Capitólio são, na verdade, antigos vales rochosos invadidos pela água da represa. Os paredões ultrapassam 20 metros de altura e formam corredores estreitos por onde lanchas, escunas e chalanas circulam o ano todo.
Por que a região cresceu tanto depois da tragédia de 2022?
Em janeiro de 2022, o desabamento de um paredão de pedra durante um passeio turístico mudou o rumo do turismo local. Em resposta, o Governo de Minas criou o programa Reviva Capitólio Viva o Mar de Minas, com R$ 5 milhões em investimentos e 80 ações coordenadas.

O que fazer em Capitólio além do passeio de lancha?
O passeio de barco é o cartão postal, mas a cidade oferece roteiros por terra com cachoeiras, mirantes e parques ecoturísticos. Os principais atrativos ficam ao longo da MG-050:
- Mirante dos Cânions: vista panorâmica clássica, com paredões e o Lago de Furnas ao fundo. Acesso pela MG-050 entre os km 312 e 313.
- Cachoeira Diquadinha: queda de fácil acesso em frente ao mirante, com poço raso e tom dourado vindo do leito de pedra. Boa para crianças.
- Trilha do Sol: parque ecoturístico com três cachoeiras (Poço Dourado, Grito e No Limite) e percurso de cerca de 3 a 4 km no complexo oficial.
- Cachoeira Lagoa Azul: piscina natural de águas azul-esmeralda, parada obrigatória dos passeios de lancha.
- Cascata Eco Parque: trilhas, tirolesa e quedas escondidas em meio aos cânions.
- Pedreira Lagoa Azul: antiga pedreira de quartzo desativada, hoje uma piscina natural de tom intenso.
A culinária local é comida mineira de raiz, servida em fogão a lenha:
- Frango com quiabo: prato clássico das mesas de Capitólio, geralmente acompanhado de angu.
- Tilápia da represa: peixe pescado no próprio Lago de Furnas, servido frito ou ensopado nos restaurantes flutuantes.
- Tutu de feijão: feijão batido com farinha de mandioca, servido com torresmo e couve.
- Doces caseiros e cachaça da Canastra: as lojinhas de beira de estrada vendem doce de leite, goiabada e rótulos artesanais.
Quando visitar Capitólio sem encarar chuva nem multidão?
O período seco, entre maio e setembro, oferece água mais clara, céu aberto e trilhas seguras. Já o verão é mais movimentado, com chuvas frequentes que turvam o lago e elevam os preços.


















